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Estudo associa alta exposição a radiação usada em celulares a tumores em ratos machos

Mas resultados não podem ser extrapolado para humanos, dizem pesquisadores

pexels

A alta exposição à radiação de radiofrequência (RFR) em roedores resultou em tumores nos tecidos  localizados ao redor do coração em ratos machos, mas não em fêmeas ou em quaisquer camundongos, de acordo com os resultados preliminares do Programa Toxicológico Nacional (NTP, sigla em inglês), um estudo feito nos Estados Unidos. Os níveis de exposição utilizados no estudo foram iguais ou superiores aos níveis mais elevados permitidos em celulares atualmente. Celulares normalmente emitem níveis mais baixos de RFR do que o máximo permitido por lei. A conclusão do estudo do NTP foi publicada hoje em dois relatórios técnicos, um para os estudos com ratos e outro para os estudos com camundongos. A  NTP vai realizar uma revisão pericial externa das íntegra das conclusões desses estudos com roedores entre 26 e 28 de março.

A incidência dos tumores no coração, chamados de schwannomas malignos, aumentou nos ratos machos quando expostos a níveis de RFR maiores do que os permitidos nos telefones celulares. Os pesquisadores também notaram um aumento incomum num padrão de cardiomiopatia, ou dano ao tecido coronário, nos ratos machos e fêmeas expostos às radiações. De maneira geral, houve poucos sinais de problemas de saúde relacionados ao RFR em camundongos.

Os relatórios também mostram um aumento estatísticamente significativo no número de ratos e camundongos expostos a um ou mais dos níveis de radiação estudados que apresentaram tumores em outros órgãos, incluindo o cérebro, a próstata, a glândula pituitária, a glândula adrenal, o fígado e o pâncreas. No entanto, os pesquisadores classificaram estes achados como "equivocados", o que significa que não ficou claro se algum desses aumentos tumorais estava realmente relacionado com o RFR.

“Os níveis e duração da exposição ao RFR foram muito maiores do que os que as pessoas experienciam, mesmo aqueles usuários mais assíduos. Os roedores também foram expostos [à radiação] em todo o seu corpo. Logo, essas descobertas não deveriam ser diretamente extrapoladas para o celular da forma como o utilizamos” diz John Bucher, doutor e cientista sênior do NTP. “Nós notamos, no entanto, que os tumores que vimos nos testes são similares aos tumores que foram relatados anteriormente em estudos com pessoas que fazem uso frequente dos celulares.”

Para conduzir os estudos, o NTP construiu câmeras especiais que expunham ratos e camundongos à diferentes níveis de RFR por até 2 anos. Os níveis de exposição variaram de 1,5 a 6 watts por quilograma (W/kg) em ratos, e 2,5 a 10 W/kg em camundongos. O mais baixo nível de potência dos ratos era igual ao nível mais alto permitido para exposições de tecido humano às emissões de celulares atualmente. Os animais eram expostos por 10 minutos e depois ficavam 10 minutos sem a exposição durante 9 horas por dia.

Os estudos utilizaram frequências e modulações 2G e 3G que ainda são usadas em chamadas de voz e mensagens de texto nos Estados Unidos. Recentemente, redes 4G, 4G-LTE e 5G passaram a ser usadas para a transmissão de vídeo e download de diferentes mídias. Elas usam sinais de frequência e modulação diferentes dos que o NTP usou nesses estudos.

O estudo do NTP também procurou por uma série de efeitos não cancerígenos em ratos e camundongos, incluindo mudanças no peso corporal, evidência de danos nos tecidos causados pelo aquecimento gerado pelo RFR e danos genéticos. Os pesquisadores observaram que ratos recêm-nascidos e suas mães tinham um peso menor, especialmente quando eram expostos a um alto nível de RFR durante a gravidez e lactação. Ainda assim, após esse período esses animais engordaram até voltarem a ter um peso saudável.

“Esses estudos foram complexos e desafiadores principalmente na parte técnica, mas  fornecem a avaliação mais completa, até agora, dos efeitos na saúde de ratos e camundongos quando expostos ao RFR,” diz Bucher. “As tecnologias dos celulares estão sempre mudando e essas descobertas fornecem informações valiosas para ajudar a orientar futuros estudos sobre a segurança do telefone celular.”

A FDA, agência que regula alimentos e drogas nos EUA, nomeou o NTP para estudar a radiação de radiofrequência dos celulares por causa do uso generalizado dos aparelhos. A FDA e a Comissão de Comunicação Federal são responsáveis em conjunto pela regulação de dispositivos de comunicação sem fio.

Virginia Guidry

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