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O que vai acontecer agora com o novo telescópio caçador de exoplanetas?

O satélite está a caminho de uma órbita inédita e se preparando para descobrir milhares de mundos alienígenas

Nasa TV

No topo do foguete Falcon 9, o Satélite para Levantamento de Exoplanetas em Trânsito da Nasa (TESS) subiu para órbita em 18 de abril. O TESS procurará por novos mundos orbitando estrelas próximas, o que será ideal para estudos futuros.

O mais novo supertelescópio caça-planetas da Nasa, o Satélite para Levantamento de Exoplanetas em Trânsito (TESS, na sigla em inglês), entrou em órbita na quarta feira (18),  levado por um foguete Falcon 9 da SpaceX.

O TESS decolou da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida às 19:51, horário de Brasília. Depois de 49 minutos, separou-se do foguete.

“Depois que ele deixa o nariz do foguete é que começa a diversão para nós, a equipe da espaçonave”, disse Robert Lockwood durante a conferência de imprensa do pré-lançamento no domingo (15). Lockwood é gerente do programa TESS na Orbital ATK, empresa que construiu o satélite para a Nasa.

Que tipo de diversão Lockwood e seus colegas devem estar tendo? Bom, os painéis solares do TESS irão abrir em breve, e o satélite, do tamanho de um refrigerador, fará diversas verificações de sistema para assegurar que tudo está em ordem.  E a “primeira luz”, nome dado ao teste inicial do sistema de observação de qualquer telescópio, virá em breve. O instrumental científico da TESS, que consiste em quatro câmeras CCD, será ligado cerca de oito dias após o lançamento, disseram os membros da equipe.

E então começarão as manobras. O TESS está indo em direção a uma órbita ao redor da Terra que nenhuma outra espaçonave ocupou antes - um trajeto altamente elíptico, no qual o satélite irá circular pelo planeta duas vezes a cada órbita que a Lua completar.

Essa órbita é muita estável, deixando a espaçonave relativamente protegida de detritos orbitais e da radiação espacial, permitindo uma comunicação fácil com os membros da equipe que estão na Terra quando ela passar próximo ao planeta.  Além disso, o TESS não deverá ter que executar muitas correções de posição nesta órbita, disse a equipe da missão. Se a espaçonave sair muito do curso, a gravidade da Lua a colocará de volta.

No entanto, esse tipo de órbita também apresenta desafios. Por exemplo, para conseguir se sincronizar com a Lua, o TESS precisa chegar no tempo certo. Se tudo correr como o planejado, o TESS vai executar um tipo de balé orbital lindamente coreografado, completando uma série de manobras para fazer um sobrevoo lunar no dia 17 de maio. (As câmera de TESS não estarão ligadas durante esse voo, então não espere fotos). Aproximadamente dois meses após o lançamento, no meio de junho, a espaçonave finalmente irá chegar a sua órbita operacional.

Então o trabalho científico do TESS irá começar. O satélite pode ser pequeno, mas ele pode abrir portas para grandes avanços. O TESS está seguindo nos passos do famoso telescópio espacial Kepler, e espera-se que ultrapasse o seu antecessor no número de exoplanetas detectados.

A missão vai durar dois anos, durante os quais o TESS irá monitorar o brilho de mais de 200.000 estrelas na expectativa de observar declives minúsculos na luz das estrelas, conhecidos como trânsitos planetários. Quando um planeta orbita em torno de sua estrela hospedeira, ele bloqueia temporariamente uma porção de luz estelar. Esses declives serão filmados pelas 4 câmeras ultra-sensíveis da TESS. O Kepler usou essa mesma estratégia para encontrar mais de 2.600 exoplanetas.

Algumas das primeiras imagens coletadas pelas câmeras do TESS podem lembrar uma televisão estática ao invés de objetos cósmicos discerníveis, mas as fotos estarão abarrotadas de dados. A missão irá se basear em observações feitas por outros telescópios, tanto no solo como no espaço, para confirmar quais dos “candidatos” detectados são realmente planetas. Além disso, alguns dos candidatos descobertos pelo TESS e confirmados provavelmente estarão perto de nós o suficiente para serem estudados detalhadamente por outros instrumentos, incluindo o telescópio de 8,8 bilhões de dólares James Webb Space, programado para ser lançado em 2020.

O TESS irá observar 85% do céu durante os dois anos e sua missão principal, e espera-se que descubra milhares de mundos novos  e outros objetos astronômicos, tais como galáxias. Pode ser que o primeiro mundo alienígena descoberto seja anunciado até o fim deste ano, disseram os representantes da Nasa.

Amy Thompson

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