Sciam
Clique e assine Sciam
Notícias

Programa de computador mede a entropia na arte

A digitalização de pinturas poderia ajudar os historiadores da arte a detectar novo padrões e conexões 

As pinturas de Jackson Pollock têm um alto grau de entropia

Para os românticos, o trabalho recente do físico Haroldo Ribeiro pode parecer prosaico. Ele desenvolveu um programa de computador que desconstrói obras de arte em conjuntos de números. Agora, Ribeiro aplica suas métricas inspiradas na física em quase 140.000 pinturas digitalizadas indexadas na enciclopédia de arte visual WikiArt para procurar tendências na evolução dos estilos de pintura.

O processo, descrito por Ribeiro e seus colegas em setembro passado nos Proceedings of the National Academy of Sciences USA, envolve a avaliação da complexidade e da entropia, ou desordem, dessas obras de arte digitalizadas. A complexidade é baseada na variabilidade de padrões dentro de cada imagem, variando de altamente variável (mais complexa) a uniforme (menos complexa). A entropia é determinada pelo grau de caos na imagem; quanto mais “regular” a pintura, menor a entropia.

O novo algoritmo analisa duas por duas grades de pixels dentro de cada pintura e os pontua usando as duas métricas. Ribeiro e seus colegas observaram que mudanças na magnitude da complexidade e da entropia entre as várias pinturas espelham mudanças estilísticas ao longo da história da arte. A arte moderna - com bordas mescladas e pinceladas soltas - geralmente possui baixa complexidade e alta entropia. A arte pós-moderna, um estilo mais simples com objetos reconhecíveis e bordas bem definidas (por exemplo, latas de sopa de Andy Warhol), tem alta complexidade e baixa entropia. No final da década de 1960, houve uma rápida mudança da arte moderna para a pós-moderna; o algoritmo é capaz de quantificar a extremidade dessa mudança.

Essas métricas simples podem ser usadas para entender melhor como a arte evoluiu, capturar informações sobre vários períodos artísticos e determinar como esses períodos interagem, dizem os pesquisadores. Aprendendo com esses padrões, o programa poderia até mesmo ser usado para classificar obras de arte menos conhecidas em estilos artísticos específicos.

Maximilian Schich, professor de artes e tecnologia da Universidade do Texas em Dallas, é a favor da pesquisa interdisciplinar. “Uma coisa que acho muito elegante neste artigo é que eles olham para a complexidade no nível local, os pixels e os pixels ao redor”, diz Schich. "Você poderia dizer: `Sim, isso é simples demais - não explica toda a pintura`. Mas é uma pesquisa valiosa."

Jess Romeo 

Para assinar a revista Scientific American Brasil e ter acesso a mais conteúdo, visite: http://bit.ly/1N7apWq